na ausência de informação sobre uma intervenção no jardim público por de traz do centro multimeios de espinho, a 9 de março de 2009, julguei estar perante uma instalação artística, pelas semelhanças formais com o trabalho de rachel whiteread, mas também, pela proximidade de um local onde esporadicamente se realizam eventos culturais.
após ter questionado uma série de pessoas responsáveis pelo centro multimeios, foi-me informado de que não se tratava de uma instalação artística, mas sim, das futuras instalações provisórias das finanças de espinho.
por não existir qualquer indicação do projecto que se encontrava na fase de alicerçar o edifício, tomei a iniciativa de apropriação da propriedade da obra. coloquei no passeio em frente ás fundações do futuro edifício um aviso, em tudo idêntico aos avisos das finanças, mas com o titulo, as dimensões, os materiais e o autor da obra.





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Hum.. sendo instalacao artística seria demasiado process-informed para ser racher whiteread (e sendo o caso, seria de facto uma boa surpresa, quebrando a repetição contínua no seu trabalho).
Um bom ponto de vista, no entanto. É sempre bom aprender pelas formas mais mundanas da sociedade.
Ingenuamente pensei que se tratava de uma instalação de alguém que tivesse como referência o trabalho dela. E não um trabalho da rachel (o que seria pouco provável em espinho). Sim, na altura considerei que poderia ser uma boa extensão do meu pensamento e de um lugar público (que aos meus olhos surgiu cheio de potencialidade). Estabelecendo uma relação com as pessoas desta cidade, na procura de estímulos. Também tive em consideração que poderia ser um bom momento para questionar alguns elementos predefinidos tanto no campo da arte como no meio social!
No entanto, a arte de apropriação re-configura radicalmente essa linha d epensamento.. nao? Como que de rachel a santiago sierra.
Surgem questoes como o que é certo e o que é errado, o que é efémero e permanente, contexto, classe, intençoes e tendências..
Hum.. só faltada mencionar génesis, como cereja no topo dos clichés – meras interpretaçoes deambulantes.
Algo me faz comichão, só nao sei onde.
Sim, o que me fascina neste projecto refere-se ao indeterminado. A possibilidade de transformação das “interpretações” que cada um projecta. Mas é claro que eu organizei o projecto segundo o ponto de vista que tinha na altura. E se bem me lembro não procurava questionar dicotomias linguísticas. O jogo, ou antes, o ritual do projecto debruça-se sobre o público e o lugar. Que existe ou passa a ser potência. E como tal, todas as referências que abordas fazem parte dessa potência.